Então parece que Salazar ganhou! Que surpresa!
Confesso que fiquei verdadeiramente adepto de
Aristides Sousa Mendes, depois de ter assistido ao respectivo documentário, de resto, algo que já tinha confessado por
aqui.
No entanto, sempre acreditei na vitória de Salazar, desde a sua inclusão na lista de candidatos. Sejamos sinceros, a classe política actual merece-o. Quero acreditar, que isto significa somente, um gigantesco cartão vermelho aos políticos de todos os quadrantes ideológicos nacionais, da extrema-esquerda à extrema-direita.
Não querendo chocar ninguém, parece-me que finalmente parte do povo português saiu de um silêncio ou de uma espécie de negação, que revela uma tremenda desilusão de um povo que acreditou piamente num 25 de Abril que resultou num país, sim, democrático, mas não, desenvolvido. Não é possível, conceber um país com bases, em que as suas áreas fundamentais, são praticamente inexistentes. Falo naturalmente de Educação, Saúde e Justiça, do meu ponto de vista, os alicerces de uma sociedade desenvolvida. Claro que não podemos esquecer as Finanças e a Economia, mas como confirmamos das políticas dos governos mais recentes, nem essas áreas são geridas eficazmente.
Quem teve oportunidade de ver o
documentário dedicado a Salazar, teve a possibilidade de confirmar alguns dados estatísticos, relacionados com as áreas que referi há pouco e por muito que custe e com a devida distância, os números não enganam e Portugal apresentava um cenário interessante. Claro que, o Estado Novo, tal como os Governos actuais falhava, nomeadamente, na Liberdade de Expressão, presos políticos, país absolutamente fechado, políticas sociais que desprotegiam os mais necessitados, permanência em África e no pensamento imperialista, etc.
Agora vamos fazer um exercício de reflexão...depois de todos estes anos, onde Portugal efectivamente evoluiu? Há naturalmente diferenças, mas actualmente, Portugal tem entre mãos uma crise sem precedentes, com políticos corruptos, partidos com crises internas que chegam a níveis nunca vistos de violência, o controlo da informação lançada pelos canais públicos de TV, vem novamente para a linha da frente, corta-se nos meios essenciais de saúde, quando as necessidades da população exigem o contrário, os empregos são precários, ter carro é cada vez mais um luxo, os deputados são cada vez mais uma nulidade no cenário democrático nacional (a Dona Odete Santos que venha dizer o contrário!), existe cada vez mais uma desumanização nas decisões dos quadros superiores das empresas, públicas e privadas, havendo preferência para cunhas ou funcionários com maior precaridade, sendo o mérito esquecido, as políticas sociais não existem...se existem....devo estar noutro país...ok...a madrugada vai a meio, ficando-me por aqui.
Ainda acham que o povo português não tem razões para mostrar uns quantos cartões vermelhos?? (isto é só uma metáfora futebolística)
Infelizmente, a nossa geração, sim, assumo a minha quota parte, é individualista, ao contrário da geração de 70, que nos levou até ao 25 de Abril, com grandes massas mobilizadas, sobretudo pela classe estudantil, que nos dias que correm, está mais preocupada com os seus luxos individuais oferecidos pelos paizinhos, achando que à partida, tudo está garantido e portanto, para quê, reclamar...já lhe chamaram geração rasca...eu chamo-lhe geração apática!
Como dizia o V, no "
V for Vendetta", "Algo vai mal neste país!" e basta olhar para o espelho para encontrar um dos culpados...
Na medida do possível tenho tentado acompanhar todo processo que envolve a escolha do Grande Português de sempre...
Vou ser sincero, confesso que estou a gostar desta fase do programa, depois dos debates, por vezes pouco interesses, uma vez que, na minha opinião, a escolha de Maria Elisa foi infeliz e parece-me que foi o suficiente para os debates terem ficado abaixo das expectativas.
Escolhidos os 10+, todas as semanas são transmitidos 2 documentários dedicados a cada um dos candidatos. Não quero falar sobre as escolhas, mas não há dúvidas que a qualidade dos documentário tem ficado acima de toda e qualquer expectativa.
A todos os níveis, podemos ver documentários completamente diferentes, ajustados às personalidades em causa e que têm ocultado de forma eficaz, os "apresentadores" (também chamados de defensores das personalidades) que não se sentem tão à vontade com as câmaras ou que não estão habituados a este tipo de formato.
Dos comentários que tive oportunidade de ver, dos quais podemos retirar o documentário de Álvaro Cunhal, uma vez que me faz alguma confusão a presença de Odete Santos... e sim, não tenho nada contra o senhor, mas a Odete??? Obrigado, mas não!
Por outro lado e talvez porque seria o personagem mais "desconhecido" impressionou-me o documentário de Aristides Sousa Mendes, por tudo aquilo que ele foi e por tudo o que ele fez e pela injustiça que ele próprio sofreu, por consequência do acto heróico que tinha cometido como Cônsul de Portugal em Bordéus.
Para concluir, estes documentários são, sem dúvida, a não perder... para quem os perdeu, quando foram transmitidos, poderão vê-los através do site oficial dos "Grandes Portugueses", na opção "
Ver Programas TV".
Para não me afastar da polémica, posso dizer que gostei bastante do documentário dedicado a Salazar. Apesar de naturalmente defender esta personalidade polémica, o documentário, consegue dar uma visão imparcial do que foi a vida de Salazar, concorde-se ou não com a sua presença nesta lista.
Agora é votar...e já agora ver os documentários que restam...
UPDATE: Já consegui ver o documentário que faltava sobre Álvaro Cunhal, confirmando aquilo que já tinha referido no post, isto é, apesar de ter sido apresentado por Odete Santos, a coisa até corre bem, sendo talvez o mais conservador dos documentários até agora transmitidos.